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Proust: sobre a leitura
O livro Sobre a Leitura, de Marcel Proust trata de muitos aspectos relevantes a forma, estilo, concepção, imaginação e criação literárias, além da escrita e interpretação de textos, colocando em cheque a colaboração e a ingenuidade tanto de escritores quanto de leitores, fala de independência e co-dependência da leitura. Refletindo brevemente sobre a obra, é importante ressaltar alguns itens observados no prefácio desenvolvido por José Augusto Mourão, que sucintamente faz sua interpretação da obra, auxiliando a compreender melhor a escrita de Proust. “Neste texto, Proust analisa a sua própria experiência de leitura, entregando-se a comentários críticos sobre o Trésor dês Róis, conferência sobre a leitura que fez Ruskin a 6 de Novembro de 1864... A obra de Proust presta-se admiravelmente para um estudo dos problemas da leitura. Desde a irônica caricatura da leitura erudita...aos trabalhos eruditos...que faz troça ou feitichismo da bibliofilia ... Nesse tempo, já clássico, a leitura era o grão de sésamo, o pão para o espírito e o remédio contra a ignorância dos povos, o tesouro escondido da educação social... Conforme ao modelo da escrita modernista, a ética da leitura corresponde agora à descoberta da verdade em si mesmo, como uma recriação por si mesmo, arruinado que está o modelo da Verdade a que se ia antes, tornando-se o livro significante do outro, mais do que significado num enunciado. ...Mas o que mais nitidamente se esboça nele é uma definição quase fenomenológica da escrita e da leitura (da sua relação), em que a separação entre o leitor e a escrita é abolida: a leitura é a escrita, a escrita é leitura. [...]A literatura não tem que defender teses, nem que argumentar em nome de certezas dogmáticas, ela inscreve-se neste espaço de Discurso, não tanto em razão do eventual comprometimento dos autores mas sobretudo graças ao potencial descomprometimento que ela liberta... (Sésamo e os Lírios, Tesouro dos Reis, 6)... Presa do imaginário, a leitura, como qualquer crença, está sujeita também a decepções. Ler consiste em provocar relações...Na perspectiva de Proust, o escritor tem apenas que fornecer a possibilidade de interpretação, fornecendo o artifício da hipótese. O que um autor pode dar são desejos... O leitor encontra-se como interprete, interpretado por este discurso que ‘diz’ referido ao que no discurso é ‘dito’. Como um cego que avança numa certa direção, adivinhando formas, saliências, áreas de família. O texto faz o que diz: fechando-se, abrindo-se, como um espaço construído pelo desejo do Outro, e em que a incitação se converte em provocação a dizer a verdade do sujeito que somos, no espaço-tempo da nossa enunciação.” Após transcrever parte do pensamento e crítica de Mourão, em relação ao livro que permeia esta discussão, segue o resumo comentado dos principais pontos elucidados por Proust, que teve como base uma conferência tão distante de nossa época, datada do século XIX. Vamos considerar e comparar a forma de leitura que permeia a interface de textos e que regem o comportamento da sociedade contemporânea, no que diz respeito a história e as maneiras de se consumir literatura, como por exemplo sua contribuição para a produção da literatura moderna. Que relação pode-se fazer através dessas reflexões que aproximam o leitor do autor e como o pensamento de Proust intervém na história da literatura como colaborador para se conceber novos textos literários. “Deixo as pessoas de bom gosto fazer do seu quarto a própria imagem do seu bom gosto enchendo-o unicamente de coisas que mereçam a sua aprovação. Quanto a mim, só me sinto viver e pensar num quarto em que tudo é criação e a linguagem de vidas profundamente diferentes da minha, de um gosto oposto ao meu, em que nada encontro do meu pensamento consciente, onde a minha imaginação se exalta sentindo-se mergulhada no seio do não-eu...” Cabe aqui um comentário, onde Proust metaforicamente demonstra a relação que tem com a leitura de outros autores, “em que tudo é criação e a linguagem de vidas profundamente diferentes da minha, um gosto oposto ao meu...”, estilos diferentes do seu em relação a escrita e que permitem a livre interpretação do leitor, como afirma na descrição que segue: “...em que cada barulho só serve para só serve para sublinhar o silêncio” deslocando-o, em que os quartos conservam um perfume a fechado que o ar livre vem lavar, mas não apaga, e que as narinas aspiram cem vezes para o trazer à imaginação...” Aumentando o repertório de leitura, um leitor transcende e é capaz de fazer citações, apropriando-se de imagens e de leituras de mundo diferentes da sua, capacita-se e aumenta sua desenvoltura na assimilação e compreensão das partes negativas de um texto. “Se Ruskin tivesse extraído as conseqüências de outras verdades que anunciou umas páginas a frente, é provável que tivesse encontrado uma conclusão análoga à minha. ...Ele não quis, para nos ensinar o preço da leitura, senão contar-nos uma espécie de belo mito platônico, com essa simplicidade dos gregos que nos mostraram mais ou menos todas as idéias verdadeiras e que deixaram aos escrúpulos modernos o cuidado de os aprofundar...” Novamente, Proust reforça a importância da interpretação e da não aceitação de uma única fonte como verdade, faz uma crítica forte em cima das citações de Ruskin. Após este comentários, deixo livre para interpretação alguns trechos do livro “Sobre a leitura”. Retomaremos a discussão após fazer o que nos é ensinado no texto, ler. “ Sentimos perfeitamente que a nossa sabedoria começa onde a do autor acaba, e quereíamos que ele nos desse respostas, quando tudo o que pode fazer é dar-nos desejos...de mode que é no momento em que eles nos disseram tudo o que podiam dizer-nos que fazem nascer em nós o sentimento que ainda nada nos disseram...
Escrito por silvana tecolo às 20h24
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Mississipi: Berço do jazz e palco da mais explicita forma de negligenciamento social e políco do ser humano
Até onde é possível para o homem ver seu semelhante sucumbir e acreditar em diferenças raciais e etnias que superem a vida? É tanta indignação que fica difícil colocar em palavras os sentimentos provocados por uma política que não sabe lidar com catástrofes naturais e que dirá com as sociais. Digamos que o mundo parou para assistir perplexo ao atentado de 11 de setembro ao World Trade Center, nos EUA, porém mais repugnante é ver as pessoas morrendo enquanto um governo bélico assiste inerte a essa destruição de seu próprio povo. Como uma nação dominante mantém no poder uma política tão discriminativa? Não tenho resposta... gostaria de saber como repercurtiu na Europa essa falta de decisão, essa lentidão na prestação de socorro. Me falta repertório para a discussão, então recorro ao jornal, que graças aos céus, trouxe um conteúdo reflexivo sobre a tragédia, na fala do filósofo esloveno Slavoj Zizek, [...] existem bons motivos para suspeitar que os EUA vêm sendo alvos de mais furacões do que de costume em decorrência do aquecimento global provocado pelo homem. Em segundo lugar, o catastrófico eeito imediato d furacão (a cidade debaixo d’água) se deveu em grande medida ao erro humano: os diques protetores não foram bons o suficiente, e as autoridades não estavam preparadas para atender às necessidades humanitárias, que, no entanto, eram previsíveis [...] Daria para parar por aqui, se as necessidades eram previsíveis, por que não houve então uma prevenção? Por quê? Continua o texto de Salavoj Zizek [...] É claro que a resposta evidente a esse mergulho de Nova Orleans no caos apenas veio tornar visível a divisão racial persistente nos EUA: em Nova Orleans, 685 da população era negra; os negros eram os pobres e os marginalizados, que não possuíam meios de deixar a cidade a tempo e, por isso, foram deixados para trás, sem assistência e passando fome, de modo que não surpreende que tenham explodido [...]. [...] a tensão que levou à explosão em Nova Orleans não foi a tensão entre a chamada “natureza humana” e a força da civilização que a conserva sobre controle, mas a tensão entre os dois aspectos de nossa civilização[...]ao procurar controlar explosões como essas, as forças da lei e da ordem se vissem diante da ‘natureza’ do capitalismo em sua forma mais pura, a lógica da competição individual, da auto-afirmação impiedosa gerada pela dinâmica capitalista, uma “natureza” muito mais violenta do que todos os furacões e terremotos? Em sua teoria do subleme (“das Erhabene”), Kant interpretou nosso fascínio com as manifestações explosivas do poder da natureza como prova negativa da superioridade do espírito sobre a natureza: por mais brutal que possa ser a manifestação da natureza feroz, ela não pode atingir a lei moral presente em nós. A catástrofe de Nova Orleans não oferece um exemplo semelhante do sublime? Por mais brutal que seja o vórtice do furacão, ele não é capaz de suberverter o vórtice da dinâmica capitalista. A matéria completa, coincidentemente está no caderno MAIS, do dia 11 de setembro de 2005. Já é hora de circular e oxigenar os pensamentos...
Escrito por silvana tecolo às 20h20
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Escola de Frankfurt às avessas
Outro dia uma matéria da Cult me chamou a atenção, acredito que por ser evidente a preocupação dos intelectuais para tentar entender o que se passa na sociedade atual, parei para tentar refletir junto ao inconsciente coletivo quais são os reais interesses do homem no século 21 que tem por trás de si um século marcado pela Segunda Guerra, pelo holocausto e pela explosão da primeira bomba atômica...fiquei fora deste inconsciente e achei melhor dividir com o papel o que estava lendo, pensando no tempo de terror e barbárie vivido pelo homem que formava aquele quadro social.
O mais interesse no entanto é que dentro desse contexto, pensadores como Adorno, Horkheimer, Marcuse e Benjamin, escreveram teorias sobre o comportamento social e a chamada “Teoria Crítica tornou-se o instrumento intelectual mais refinado e incisivo na análise tanto do indivíduo como da sociedade, aliando a teoria social à psicanálise, mas sem se subordinar epistemologicamente à outra”, diz Modesto Carone.
É exatamente o que acontece, pois no decorrer da matéria exibida pela revista, de uma forma fácil ela nos coloca em contato com este pensamento refinado, fazendo-nos refletir sobre o cotidiano em que vivemos e o quanto este século se compõe do passado, a explosão agressiva da indústria cultural não está acontecendo neste momento, já aconteceu, já foi discutida, por poucos é claro, e a questão que fica é a ausência da maior parte da sociedade com essas discussões, simplesmente porque a indústria cultural, a cultura de massa não está voltada a reflexão e sim ao consumo capitalista desenfreado.
As dificuldades são muitas, mas não consigo imaginá-las maior do que dentro de uma guerra, se bem que vivemos tempos contraditórios de guerra e paz, consumo e liberdade controlada pelo poder, exercido tanto pela política quanto pela mídia, concorrendo para uma globalização, ou melhor, uma mundialização massificada por poucos e consumida por milhares.
Consertar o mundo com certeza é uma tarefa impossível, mas também é verdade que todos um dia já pensaram pelo menos um segundo nisso, mas voltando a matéria da revista, realmente fica difícil criar um núcleo de pensadores com nível dos que existiram na escola frankfurtiana, se como diz Marcio Seligmann Silva, formado em História pela PUC “[...] há alunos que chegam a pós-graduação sem ter lido Adorno e Benjamin. Eu acho um absurdo, mas há. São autores que são clássicos no bom sentido, não é que eles se tornaram autores totalmente domesticáveis. Eles são indomesticáveis, por assim dizer, e há esse elemento de revolta, que é o que torna a leitura difícil, esse aspecto contraditório, pensar pela aporia, pensar sem ter medo de trabalhar com elementos que são contraditórios, que estão se chocando. E eles faziam isso de maneira primorosa [...]”.
Participar da afirmação deste professor é estar excluído de um pensamento conhecido universalmente, então não consertando o mundo mas que ao menos as instituições educacionais, as universidades voltem seu olhar com mais cuidado para o tema e disponibilize essa bibliografia indispensável na formação intelectual do indivíduo, independentemente de sua área de atuação.
Sem entrar em discussões utópicas e crendo que mesmo o bom leitor precisa de indicativos e estímulos, uma outra afirmação interessante é a da filósofa Olgária Matos em relação ao comportamento ocidental: “[...] no Ocidente há essa tendência a uma dissolução das experiências transmissíveis através da tradição, porque a técnica e a ciência como são vividas hoje ocuparam praticamente todo o espaço das humanidades [...]”.
De qualquer forma, entre desconhecer totalmente e saber um pouco, fico com a segunda escolha, mas sem deixar de lado uma busca em livrarias e sebos para tentar suprir essa defasagem educacional e quem sabe preencher parte desta lacuna para melhor entender o presente e o futuro de informação transitória que permeia a contemporaneidade.
Escrito por silvana tecolo às 20h19
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Perto do passado, próximos de Focault
Escrever sobre filosofia sem conhecer a fundo o pensamento de importantes autores pode se tornar uma tortura, em contrapartida realizar pequenas pesquisas nesse sentido é muito prazeroso, pelo simples fato de nos colocar em contato com pensamentos que potencializam nosso senso crítico e percepção de mundo.
Focault assim como Deleuze foi um grande estudioso de Kant e serve de referência quando refletimos sobre o controle social realizado pelos meios de comunicação e pelas novas mídias.
Com obras publicadas no auge do pensamento estruturalista o autor propõe uma arqueologia das ciências humanas, uma história que não é a do aperfeiçoamento constante dos conhecimentos e sim das condições que permitam seu surgimento.
Em 1975 publica Vigiar e Punir, onde analisa os modos de exercício do poder, contrapondo duas formas de controle social: “a disciplina-bloco”, feita de proibições, bloqueios e clausuras, e a “disciplina-mecanismo”, feita a partir de técnicas de vigilância múltiplas e entrecruzadas, onde os dispositivos exercem a vigilância mediante a interiorização pelo indivíduo de sua exposição constante ao olho do controle.
Para visualizar estas afirmações, basta pensarmos em grandes complexos comerciais e residenciais, onde o individuo está sempre sendo observado por dispositivos eletrônicos, como câmeras e rastreadores, espalhados em locais estratégicos para observação de todo e qualquer movimento ‘suspeito’. O controle está no centro das construções, é um exercício dissimulado do poder.
A título de preservação e segurança estamos vivendo um tempo onde somos cada vez mais vigiados e controlados hierárquicamente, onde democracia e liberdade passam a figurar como algo utópico.
A questão é saber até que ponto essa preservação é necessária e quanto tempo falta para que a sociedade alcance seu verdadeiro espaço, concorrendo para a estruturação de um pensamento que quebre os paradigmas de um pensamento pré-estabelecido no consciente coletivo, onde a li
Escrito por silvana tecolo às 20h18
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Tecnologia e Sociedade de Controle
A discussão está no ar e todos utilizam os meios e os recursos, conhecendo suas particularidades ou não.Temos a mão uma infinidade de equipamentos que nos permitem transitar pela história contemporânea de acordo com o tempo que esta nos disponibiliza, através de suas máquinas sedutoras. É certo que na maioria das vezes sente-se que o computador, o dvd, a tv, os celulares e os palms, ao invés de nos proporcionarem mais tempo livre, acabam por transformar o homem num nômade aprisionado pela virtualidade, consumindo informações através de seus equipamentos de última geração, desde a compra de um CD até a pesquisa em uma biblioteca. Quando utilizamos a Internet para fazer compras, baixar músicas, fazer pesquisas, estamos agindo de forma virtual e de uma maneira muito objetiva participando, construindo e interagindo com essa nova história. O que incomoda é a falta de reflexão deste momento, tanto por parte de estudiosos, teóricos, críticos e principalmente da sociedade, que sem se dar conta transita pela chamada Sociedade de Controle, tão bem observado por Gilles Deleuze (1925-1995), filósofo francês, vinculado aos denominados movimentos pós-estruturalistas, categorizações que o próprio Deleuze questionava pelo que trazem, ainda, da visão e luta pelo idêntico. Suas teorias acerca da diferença e da singularidade nos desafiam a pensar em temas como rizoma, ontologia da experiência, a teoria do que fazemos, a virtualidade e a atualidade. Segundo o filósofo “[...] os corpos serão disciplinados, a corporeidade será desfeita, promover-se-á a caça aos devires-animais, levar-se-á a desterritorialização a um novo limiar, já que se saltará dos estratos orgânicos aos estratos de significância e de subjetivação. Produzir-se-á uma única substância de expressão. Construir-se-á o sistema muro branco – buraco-negro, ou antes, deslanchar-se-á essa máquina abstrata que deve justamente permitir e garantir a onipotência do significante, bem como a autonomia do sujeito [...] Essa máquina é denominada, máquina de rostidade porque é produção social de rosto, porque opera uma rostificação de todo o corpo, de suas imediações e de seus objetos, uma paisagificação de todos os mundos e meios”. Então, já que estamos inseridos dentro deste contexto o que nos cabe é tentar fazer um mapeamento através destes dispositivos e explorar estes espaços midiáticos, para de alguma forma exercer nosso direito crítico, participando significativamente, deixando de agir como meros consumidores desprovidos de reflexão, e assim reavaliar os conceitos do que se entende por sociedade contemporânea, aproximando-nos conscientemente dos meios de comunicação, sem transformarmo-nos em reféns destas novas linguagens, que cada vez mais convergem-se entre si.
Escrito por silvana tecolo às 20h14
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