Fome de viver
Quarta feira, mais ou menos 16h30, meio calor, meio frio, tipicamente São Paulo e é claro, indispensável aquela garoa no rosto, o vento gelado, a fumaça, os carros, a vida existindo a todo vapor.
Neste cenário, nada mais paulista que caminhar sozinho na Paulista, entrar na Augusta e pegar um cineminha, lembrando sempre de manter o passo ligeiro, o ar preocupado, o olhar que nada vê e tudo absorve e em nada desperta a curiosidade do outro, porque este é o ritmo normal do coletivo, do individual e da cidade.
Basta um gatilho e pronto, o dia pode ficar mais leve ou mais sombrio, depende do filme, depende da fome, depende do sabor que se quer dar e do colorido que se quer ver. É divertido entrar nesse roteiro da mega-mega-lópole, esquecer as críticas e pensar nos olhos azuis de David Bowie, no charme de Catherine Deneuve e no que seria um dos mais cultuados filmes de vampiros das últimas décadas.
Clima envolvente, cheio de erotismo, temperatura que convida à um chá quente, de preferência no bar do cinema, onde é possível transportar-se para uma produção de 1983 e
alimentar-se da direção de Tony Scott, olhando com os ouvidos a trilha sonora de arrepiar, composta por Iggy Pop, Bach e Schubert.
Um prazer sair do cinema inebriado por essas sensações capazes de quebrar o cotidiano, uma pausa provocada pela estética de um filme que sendo o primeiro longa do diretor, continua divertido vinte anos depois.
Sozinho ou acompanhado, vale a pena, tente assistir no bar do Cinesesc, que realmente possibilita essa sensação para além do filme. A sala fica na Rua Augusta, 2075.
Sessões às 15h, 17h, 19h e 21h.
Escrito por silvana tecolo às 13h39
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