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É possível humanizar a arquitetura urbana?

 

Viver em São Paulo é como estar dentro de um grande museu, dividido pelo tempo, pelas ruas e pelos espaços característicos de seu zoneamento, de sua arquitetura e de suas diversas sociedades que dentro de uma mesma cidade vivem realidades distintas.

Quando se vai ao centro velho, percebe-se o abandono de lugares que configuravam o explendor da vida paulista, como os hotéis da Vieira de Carvalho, as esculturas da praça da República o glamour nostálgico cantado por Caetano, quando homenageou as avenidas Ipiranga e São João, com um bar Brahma bem diferente deste que lá existe hoje, com um cinema Comodoro e um Cine Espacial, que vejam só, era circular.

Resiste firme o centro, resiste com aconchego, parece que por ser velho entende a todos, é como se desse um abraço e ao mesmo tempo gritasse por socorro.

Essa arquitetura de cimento tão condenada fica muito frágil quando aproxima-se da modernidade, pois a contemporaneidade nos trouxe imponentes construções, como o Instituto Tomie Otake, o SESC Pinheiros, o MASP e outros espaços que mostram seu poder e muitas vezes causam um certo estranhamento, mas esse tipo de provocação traz um consigo um sentimento de inibição, não sendo tão convidativo como se pretendia, já que foram pensados para circulação e visitação de público.

De outro lado equipamentos como shoppings centers, não afastam o indíviduo, muito pelo contrário atraem cada vez mais consumidores, claro que neste caso o apelo é diferente, mas se observarmos com cuidado, notamos que a fatia ansiada por estes centros é tornar-se cada vez mais um local  de lazer e não apenas de compras, mas claro que esta diversão será muito bem paga.

Existem muitas outras obras para serem apreciadas em São Paulo, como os casarões da Av. Paulista, as casas da Vila Madalena, que em sua grande maioria já se transformaram em ateliês, etc.

Morar em apartamentos e não em casas, visitar espaços concebidos para serem muito maiores que o homem, talvez essa cidade matrix nos assuste um pouco, porque sugere a fragilidade do individuo, mostra como tudo ao redor é maior, mas não mostra como pertencer aos lugares.

Para entender melhor estas é importante uma visita a  VI Bienal Internacional de Arquitetura, que tem como tema “Viver na Metrópole Realidade, Arqueitetura, Utopia, que propõe a discussão entre arquitetos, urbanistas e principalmente entre outros segmentos da sociedade, sobre o que significa morar numa metrópole hoje, o que entendemos como extensões à habitação, e quais seriam os complementos urbanos que se fazem necessários para uma morada digna. Pretendemos também, dando seqüência ao ideário da 5º BIA, mostrar numa linguagem acessível, leve e alegre, o que os arquitetos estão produzindo no Brasil e pelo mundo, de forma que a 6º BIA possa, ainda mais profundamente, dialogar com o cidadão não arquiteto que mora e trabalha nas grandes cidades, dando a ele condições de entender a importância da arquitetura na sua vida cotidiana (Arq. Pedro Cury e arq. Gilberto Belleza.”

VI Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
 22 de outubro a 11 de dezembro de 2005, terça a quinta, das 12h às 22h
Sextas, sábados e domingos, das 10h às 22h
Fundação Bienal de São Paulo, Avenida Pedro Álvares Cabral s/n° - Parque Ibirapuera, portão 3.
Crianças até 6 anos não pagam.
Estudantes, crianças de 7 a 12 anos e maiores de 65 anos pagam meia.
Informações e programação
http://bienalsaopaulo.globo.com

 



Escrito por silvana tecolo às 22h30
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